Viriato

Terça-feira, Maio 25, 2010

Mishka

Vidal 16:03 | 0 comments |

W.

Apercebo-me, depois de ti, da fragilidade da vida e de ciomo passamos por ela desperdiçando-a nesta coisa de esperar por tudo, neste andar diário de olhos subconscientes para sempre no desejo. É este sentido que carregamos, instinto de eternidade, que atraiçoa, convencendo-nos de um contínuo caminho a percorrer pois, a morte desavisada só acontece com os outros! E assim, vamos passando os dias, os meses, os anos a idealizar e a adiar a vida, até apodrecermos no tempo...
Vidal 15:35 | 1 comments |

De novo... Mais uma vez a desilusão e frustração inundam-me. Não tenho força para lutar, ou simplesmente recuso-a, febrilmente. De novo agrilhoado na prisão de mim... Uma voz sufocada tenta, aterrorizada, libertar-se, mas é impotente face à aguda e agoniante redoma de frio metal que a sustém à força. Não me reconheço, não me sinto eu. Sou tudo o que não suporto ser, sou uma sombra, um espectro, não sou!! Amargo momento, sentimento crú, dolorosa e bolorenta infecção que, como furiosas brasas penetrantes, queima o âmago, a pele interior, a essência de Ser; Vou caindo vertiginosamente na dormência de mim, abismo que me consome lentamente... pacientemente.
Vidal 15:33 | 0 comments |

Alucinação

Os estridentes e sibilantes gritos metálicos dos carris davam calor a uma carruagem mergulhada no silêncio ensurdecedor de si mesma. Jeremias, jovem universitário e eterno decifrador do enigma da vida, encontrava-se como em todas as manhãs a bordo de uma carruagem de metro, a caminho da sua Universidade. Sentado num dos bancos do meio, com os headphones nos ouvidos, ia sussurrando uma melodia irreconhecível e orquestrava o ritmo com as mãos sobre os joelhos. Jeremias odiava o metro, ou o «cemitério de gente» como gostava de lhe chamar, observava a massa impessoal e disforme de pessoas sem sorriso, sem voz e sem calor e odiava-as por isso.
Há já muito que observava a castradora rotina dos passageiros fortuitos, sim... ele conhecia bem os rostos sem luz, os olhares inseguros e desesperados, o pesado silêncio que queima e revela a mentira que todos sabem de cor. Jeremias não compreendia a mórbida rotina que os tornava dormentes, nem a necessidade que tinham de se refugiar, apavorados de si mesmos, no silêncio, no olhar cabisbaixo e no rosto fechado, petrificado como se de alguma penitência se tratasse. Ah ! ... Como odiava tudo aquilo, como tudo lhe cheirava a pôdre e a falso (!) , e quando observava aquela massa compacta e maquinalmente ordenada a percorrer as galerias subterrâneas sobre uma esteira rolante de metal, inevitavelmente percorria-lhe pela mente a imagem de um qualquer matadouro onde os animais são conduzidos à morte, ordeira e pacientemente aguardando a sua vez…

(Continuação...)
Vidal 15:33 | 0 comments |

Mergulho

Dá-me ar ! Aperta-me em ti e beija-me a testa. Aquece-me os pés gélidos com cobertores de lã e deixa-me aninhar no teu refúgio. Passa-me a mão pelo cabelo e sopra-me ao ouvido a voz quente de canela e mel. Deixa que o meu corpo moribundo da guerra chore no teu ombro nú. Lambe-me as feridas mortais que visto, cura-as com o beijo de Mãe. Estanca a hemorragia de Ser, ferida aberta que trago em mim. Sopra suavemente sobre os meus fantasmas e diz-me até me convencer, que não voltarão mais, de rostos mudos e olhos negros de julgar. Aquece-me de novo, tenho frio. Deita-te a meu lado, deita-te em mim. Fundidos no tempo, aquecidos em nós. Cantemos as nossas canções tristes e os fardos que carregamos, ensanguentados.Escrevamos novos contos com tintas de côr e flôres de cheiro, contos sem final, sem moral... Mergulha-me nos teus olhos e diz-me sem falar. Deixa que te abrace os medos e ilumine os túneis escuros que encerras para ti. Dá-me ar! Respiremos em uníssono, abraçados, compassados, ao ritmo do pulsar do coração.
Vidal 15:31 | 0 comments |

P.

Quem diria, que o amor nasce onde ela mora ?
Que é sua a luz que aquece o dia.
E que até a aurora se demora
distraída na sua pele, dôce e esguia.
Vidal 15:30 | 0 comments |

Avó

Lembro-me, menino, de acordar naquelas manhãs escuras e frias como a noite na velha casa onde cresci...

Dizia-me numa voz serena, enquanto a luz invadia o quarto sem aviso:
- " Velha bruxa, é hora de levantar ! Vamos a saltar da cama para não haver atrasos." (Sempre teve o mau-hábito de tratar a familia, especialmente a nós os mais novos, com alcunhas e nomes mirabulantes, quase sempre com os géneros trocados o que a divirtia imensamente.)
Eu reagia a tudo isto com a revolta e o ódio de quem é mandado para a forca, personificados em grunhidos e expressões indecifráveis mas suficientemente expressivos. - "Já cá venho ver se a Gata está levantada ou não, vou tratar do pequeno-almoço." - dizia placidamente antes de desaparecer na porta fechada. Entretinha-me a ouvir os seus passos serenos a descer a escadaria, submerso em cobertores de lã, edredons e lençóis de flanela. Imóvel, ficava a dormitar dentro do meu refúgio, abrigado do frio de um dia que me exigia impiedosamente, até ouvir de novo os seus passos denunciadores escada acima. Aí, freneticamente e num pulo levantava-me da cama e, num espasmo, vestia a roupa fingindo estar acordado há já algum tempo.
- "Ah, a Gata já está vestida. Vamos a tomar o pequeno-almoço !" - dizia enquanto desaparecia de novo na escadaria. Eu concedia-lhe um :- "Vou já!" - sêco e curto, e num cinismo só ao alcance dos grandes, voltava a deitar-me completamente vestido num prazer culpado. Adormecia de novo, seguro, na dormência quente de quem volta ao ventre materno.
Acordava então sobressaltado ao ruído de um vigoroso bater de palmas que vinha lá de baixo e ouvia a sua voz agora mais rude e firme : - " Carroça do lixo ! Vem já para baixo ! Já estás atrasado para a escola..." - Saltava finalmente da cama num esforço hercúleo, e o meu corpo era a brasa ardente de uma fúria cega que me guiava escada abaixo.
- "Ah, decidiu descer a carroça do lixo. É sempre até á última... Lá vai a carroça do lixo..." - dizia num tom trocista. Eu levava aquilo a peito como uma ofensa mortal, blindava a cara com o desprezo de quem amua e com ares de herói cobardemente traído, passava á sua frente em silêncio e precipitava-me no corredor estreito e longo que desagua na cozinha. Tanto pior, era exacatamente esta minha reacção que procurava e enquanto me seguia pelo corredor adentro aproveitava para degustar o prato,divertida, rindo o riso próprio de quem olha de cima.
Já na cozinha, sentado num dos bancos de madeira em redor da grande mesa de pedra, esperava ansiosamente aquele verdadeiro manjar. - Recordo com água na boca, aquela papa Maizena ainda fumegante, servida no prato de sopa de louça branca, polvilhada com açúcar e canela. - Comia tudo aquilo ávidamente e com a humildade de um ditador, condicionante própria de ser criança e de achar que o mundo é feito para nós. Na hora de sair, afundava-me em casacos e recomendações, beijava-me a testa num abraço apertado e saindo para o páteo ficava a ver-me partir.
- " Mas vá para dentro que está um frio de rachar! " - gritava-lhe eu em vão enquanto abria o portão grande que dava para a estrada, e ao ver que debaixo do ridículo xaile de verão com que se cobria tinha ainda o pijama de algodão e as pantufas vestidas. Sem me responder e acenando com a mão ali ficava, no frio, a ver-me desaparecer ao longe na espessa neblina da noite.


(...Continuação...)
Vidal 15:30 | 1 comments |

Nesse momento

Nessa sala que ontem conhecias de cór e que agora estranhas e temes... espreitam esses movéis que contam mil histórias num desabafo sufocante, essas paredes altas e esguias que te confortam e aquecem, esses quadros que explodem num agoniante e surdo grito de quem perdeu o que não chegou a possuír...

E essa música embriagante que te possui e comanda, que te consome cada bolsa de razão... e que queima como brasas flamejantes... penetrantes.

Nesse momento em que a agoniante e amarga tristeza se funde com o quente e luminoso sorriso, alquimía colorida... explosão de sensações...! e o céu uma amálgama de côres e solidão.

Nesse momento em que a dôr é prazerosa, e o prazer...febril e penoso...

Nesse momento onde sofres e sangras, onde ris e cais...choras tudo aquilo que nunca foste e celebras tudo aquilo que és... Perdes...Sais...Encontras...Desabafas...Suspiras... Vôas !!

Nesse momento onde, saturado, soltas um grito agudo e profundo e , de longas e pesadas lágrimas nos olhos, descobres a côr interna, viva………... e sorris.

Abraças-te a ti mesmo...


Nesse momento,
esse momento...
és Tu !!
Vidal 15:29 | 0 comments |

Grito-Mudo

Ardente como brasas vivas,
lateja na sofreguidão de
um bafo.

Incisivo
Penetrante
Corrosivo
Constante.
Vidal 15:28 | 0 comments |

Quarta-feira, Abril 25, 2007

Humor

São Luiz - Alcómicos Anónimos - Bilhetes à venda





Abram alas para o Teatro São Luiz! Estão já à venda os bilhetes para o espectáculo "Matrioshka", para os dias 3, 4 e 5 de Maio, pelas 23h30.
Uma vez que estamos enquadrados no Ciclo novos x9 ~ Novos Humoristas, vai ser possível assistir ao espectáculo pela módica quantia de 5 euros. (Melhor que isto só o sistema de passar o chapéu).

Bilheteira
Todos os dias, das 13h00 às 20h00.
Rua António Maria Cardoso 38
Tel. 21 325 7650
Email: bilheteira.teatrosaoluiz@egeac.pt
Vidal 23:13 | 0 comments |

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Caetano Veloso - Cucurrucucu Paloma
Vidal 18:49 | 0 comments |

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Verão...



Sol e calor,
Impulso e Vontade
Suor, areia e sal
Tentação sob o pedaço de pano,
Sabor carnal.

Arrepio fresco, carícia.
Luxúria pela toalha,
Quente,salgada delícia.

Óculos, cremes, toalhas e sacos de mão
Combustível volátil da inflamável sedução.
Corpo deitado, molhado, palácio de sal
Onda ardente, desejo-serpente, o Bem e o Mal.
Vidal 22:22 | 1 comments |

Terça-feira, Abril 11, 2006

Recomendamos:



Os Alcómicos Anónimos são um grupo de cinco comediantes lisboetas, (composto por Alexandre Romão, João Miranda, Salvador Martinha, Rui Sinel de Cordes e Zé Maria Beirão) que ao longo dos últimos anos fizeram o seu tirocínio na arte de stand up comedy em bares de norte a sul do país.
O que se propõem a fazer agora é um espectáculo baseado fundamentalmente em sketches humorísticos, nunca esquecendo, no entanto, o stand up comedy.
Durante os meses de Março e Abril, todas as quintas-feiras pelas 22h30, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul (zona de Santos), este grupo vai estar reunido, apresentando ao público um espectáculo de uma hora e trinta minutos, com textos, encenação, sonoplastia, cartazes, grafismo de bilhetes e sandes mistas do bar da sua autoria.
Mais informações poderão ser encontradas no site www.alcomicosanonimos.com.
Vidal 20:00 | 1 comments |

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

normaligual 20:50 | 0 comments |

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

normaligual 17:28 | 0 comments |